Questões do ENEM 2

Assim como prometi, publico novas questões do ENEM, com as respostas e justificativas embaixo. São questões que dei na prova do primeiro bimestre e logo posto as que usei na prova do segundo bimestre. Para os visitantes que não são meus alunos, tentem fazer e verifiquem as respostas no fim do post. A partir dessas questões, vocês podem aprofundar nos temas: variedades linguísticas, figuras de linguagem, movimentos literários, gêneros textuais diversos…ufa!!! Agora é só estudar! Beijinhos =)

 

QUESTÃO 1 (ENEM 2006)

 Namorados

O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:

— Antônia, ainda não me acostumei com o seu

[corpo, com a sua cara.

A moca olhou de lado e esperou.

— Você não sabe quando a gente e criança e de

[repente vê uma lagarta listrada?

A moca se lembrava:

— A gente fica olhando...

A meninice brincou de novo nos olhos dela.

O rapaz prosseguiu com muita doçura:

— Antônia, você parece uma lagarta listrada.

A moca arregalou os olhos, fez exclamações.

O rapaz concluiu:

— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.

Manuel Bandeira.

 No poema de Bandeira, poeta modernista, destaca-se como característica da escola literária dessa época

A) a reiteração de palavras para a construção de rimas ricas.

B) a utilização expressiva da linguagem falada em situações do cotidiano.

C) a simetria de versos para reproduzir o ritmo do tema abordado.

D) a escolha do tema do amor romântico, caracterizador do estilo literário dessa época.

E) o recurso ao dialogo, gênero discursivo típico do Realismo.

 

QUESTÃO 2 (ENEM 2010)

Sob o olhar do Twitter

Vivemos a era da exposição e do compartilhamento. Público e privado começam a se confundir. A ideia de privacidade vai mudar ou desaparecer.

O trecho acima tem 140 caracteres exatos. É uma mensagem curta que tenta encapsular uma ideia complexa. Não é fácil esse tipo de síntese, mas dezenas de milhões de pessoas o praticam diariamente. No mundo todo, são disparados 2,4 trilhões de SMS por mês, e neles cabem 140 toques, ou pouco mais. Também é comum enviar e-mails, deixar recados no Orkut, falar com as pessoas pelo MSN, tagarelar no celular, receber chamados em qualquer parte, a qualquer hora. Estamos conectados. Superconectados, na verdade, de várias formas. [...]

O mais recente exemplo de demanda por total conexão e de uma nova sintaxe social é o Twitter, o novo serviço de troca de mensagens pela internet. O Twitter pode ser entendido como uma mistura de blog e celular. As mensagens são de 140 toques, como os torpedos de blogs. Em vez de seguir para apenas uma pessoa, como no celular ou no MSN, a mensagem do Twitter vai para todos os “seguidores” – gente que acompanha o emissor. Podem ser 30, 300 ou 409 mil seguidores.

MARTINS, I.; LEAL, R. Época. 16 mar.2009 (fragmento adaptado).

Pode-se afirmar que o texto acima

A) adverte os leitores de que a internet pode transformar-se em um problema porque expõe a vida dos usuários.

B) ensina aos leitores os procedimentos necessários para que as pessoas conheçam esse novo meio de comunicação

C) exemplifica e explica o novo serviço global de mensagens rápidas que desafia os hábitos de comunicação e reinventa o conceito de privacidade.

D) procura esclarecer os leitores a respeito dos perigos que o uso do Twitter pode causar no trabalho e na vida pessoal.

E) apresenta uma enquete sobre as redes sociais da atualidade e mostra que o Twitter é preferido dos internautas.

 

QUESTÃO 3 (ENEM 2008)

São Paulo vai se recensear. O governo quer saber quantas pessoas governa. A indagação atingirá a fauna e a flora domesticadas. Bois, mulheres e algodoeiros serão reduzidos a números e invertidos em estatísticas. O homem do censo entrará pelos bangalôs, pelas pensões, pelas casas de barro e de cimento armado, pelo sobradinho e pelo apartamento, pelo cortiço e pelo hotel, perguntando:

— Quantos são aqui?

Pergunta triste, de resto. Um homem dirá:

— Aqui havia mulheres e criancinhas. Agora, felizmente, só há pulgas e ratos.

E outro:

— Amigo, tenho aqui esta mulher, este papagaio, esta sogra e algumas baratas. Tome nota dos seus nomes, se quiser. Querendo levar todos, é favor… (…)

E outro:

— Dois, cidadão, somos dois. Naturalmente o sr. não a vê. Mas ela está aqui, está, está! A sua saudade jamais sairá de meu quarto e de meu peito!

Rubem Braga. Para gostar de ler. v. 3 São Paulo: Ática, 1998, p. 32-3 (fragmento).

 O fragmento acima, em que há referência a um fato sócio-histórico — o recenseamento —, apresenta característica marcante do gênero crônica ao

 A) expressar o tema de forma abstrata, evocando imagens e buscando apresentar a ideia de uma coisa por meio de outra.

B) manter-se fiel aos acontecimentos, retratando os personagens em um só tempo e um só espaço.

C) contar história centrada na solução de um enigma, construindo os personagens psicologicamente e revelando-os pouco a pouco.

D) evocar, de maneira satírica, a vida na cidade, visando transmitir ensinamentos práticos do cotidiano, para manter as pessoas informadas.

E) valer-se de tema do cotidiano como ponto de partida para a construção do texto que recebe tratamento estético.

 

QUESTÃO 4 (ENEM 2007)

 O açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café

nesta manhã de Ipanema

não foi produzido por mim

nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro

e afável ao paladar

como beijo de moça, água

na pele, flor

que se dissolve na boca. Mas este açúcar

não foi feito por mim.

Este açúcar veio

da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,

[dono da mercearia.

Este açúcar veio

de uma usina de açúcar em Pernambuco

ou no Estado do Rio

e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana

e veio dos canaviais extensos

que não nascem por acaso

no regaço do vale.

(…)

Em usinas escuras,

homens de vida amarga

e dura

produziram este açúcar

branco e puro

com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

Ferreira Gullar.

 A antítese (ideias opostas) que apresenta uma imagem da divisão social do trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na oposição entre a doçura do branco açúcar e

 A) o trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar.

B) o beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na boca.

C) o trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se produz o açúcar.

D) a beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do vale.

E) o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.

 

QUESTÃO 5 (ENEM 2007)

 Antigamente

Acontecia o indivíduo apanhar constipação; ficando perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a phtísica, feia era o gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas (…)

Carlos Drummond de Andrade.

Observe outra versão do texto acima, em linguagem atual.

 Antigamente

Acontecia o indivíduo apanhar um resfriado; ficando mal, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à farmácia para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a tuberculose, feia era a sífilis. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, vermes (…)

Comparando-se esses dois textos, verifica-se que, na segunda versão, houve mudanças relativas a

 A) vocabulário.

B) construções sintáticas.

C) pontuação.

D) fonética.

E) regência verbal.

 

Respostas

Questão 1

Resposta: B) a utilização expressiva da linguagem falada em situações do cotidiano.

Justificativa: Nesta questão, o ENEM quer saber se o vestibulando reconhece alguns recursos linguísticos utilizados pelo Modernismo com finalidades literárias. O principal deles é o uso da linguagem cotidiana, a linguagem falada, coloquial ou ainda informal. Opondo-se ao Parnasianismo, movimento anterior que pregava o preciosismo linguístico (uso de palavras raras, construção de rimas ricas), o Modernismo propõe uma liberdade quanto ao uso da língua, podendo o poeta recorrer à linguagem do dia a dia, desde que com algum objetivo, buscando a construção da literariedade do texto. Um bom exemplo disso é o poema “Pronominais” de Oswald de Andrade. Não poderia ser a A, pois não há rimas ricas no poema (não há se quer rimas, os versos são livres ou brancos). A alternativa C também não se sustenta, pois fala em simetria de versos (versos com as mesmas medidas), o que não ocorre. A alternativa D fala em tema do amor romântico, característica própria do Romantismo e não do Modernismo (aliás, o poema descontrói a visão do amor romântico, satirizando a conversa entre namorados). Por fim, a E fala em recurso ao diálogo, mas cita o Realismo, o que é um contrassenso, pois a pergunta se refere ao Modernismo.

Questão 2

Resposta: C) exemplifica e explica o novo serviço global de mensagens rápidas que desafia os hábitos de comunicação e reinventa o conceito de privacidade.

Justificativa: Além da literatura, a parte de Linguagens e Códigos traz diversos gêneros para que o vestibulando os interprete. Gêneros são os textos materializados na sociedade, os variados textos que circulam na realidade social (carta, bilhete, propaganda, artigo, charge, receita, conto, crônica etc). O senso comum costuma usar como sinônimos gêneros e tipos textuais, mas há uma diferença (que não cabe explicar agora). Em Sob o olhar do Twitter o vestibulando está diante de um trecho de reportagem ou matéria de revista (Época). Ao pedir a interpretação de um gênero, o ENEM costuma pergunta qual a finalidade deste ou daquele gênero, ou seja, para que o texto foi escrito. A finalidade de um texto como o apresentado costuma ser expor, explicar, informar sobre algum assunto. No caso, a alternativa que melhor se encaixa é a D, pois, além de dizer a finalidade do texto (em outras palavras, falar sobre o twitter), acrescenta a ideia principal da reportagem, a de que o novo serviço de mensagens desafia os hábitos de comunicação e reinventa o conceito de privacidade.

 Questão 3

Resposta: E) valer-se de tema do cotidiano como ponto de partida para a construção do texto que recebe tratamento estético.

Justificativa: Novamente uma questão que pede para o vestibulando por em prática o seu conhecimento sobre os diversos gêneros textuais, neste caso, a crônica literária. O ENEM quer saber se o candidato reconhece a principal característica deste gênero literário. Ao ter em mente que a crônica é um gênero colocado ao cotidiano e que o cronista é aquele que capta as singularidades das situações do dia a dia com finalidade estética, o vestibulando chegaria tranquilamente à alternativa E. É só lembrar das crônicas de Veríssimo, de Sabino ou de Scliar e ver que os temas sempre são corriqueiros, mas vistos sob uma ótica literária. Não se trata de expressar temas de forma abstrata como sugere a alternativa A, nem de manter-se fiel aos acontecimentos como apresenta a B. A solução de um enigma, na alternativa C, cabe mais para o gênero conto policial e, por fim, o objetivo não é transmitir ensinamentos, como propõe a D (esta é uma característica do gênero fábula).

Questão 4

Resposta: E) o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.

Justificativa: A questão propõe a interpretação do poema, a partir da compreensão da figura de linguagem antítese, recurso que o poeta utiliza. Ora, antítese como o próprio enunciado esclarece é o uso de ideias opostas e o que se opõe no poema ao branco do açúcar é “o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras”, contrastando os termos branco/escuro. Nas demais alternativas não há nada que contraste com o branco açúcar.

Questão 5

Resposta: A) vocabulário.

Justificativa: As adaptações que ocorrem na nova versão do texto de Drummond estão no campo do vocabulário, ou seja, só há a mudança de um termo arcaico por um mais atual. As construções sintáticas não se alteram, ou seja, não há mudanças na ordem dos termos das frases, a pontuação também continua a mesma, a fonética (os sons das palavras) não se alteram e mesmo que se alterasse essa é uma característica que não pode ser observada na escrita (isto é, só sabemos que a pessoa está falando “porta” com “r” paulistano ou carioca se a ouvimos pronunciar a palavra). Por fim, a regência verbal também não se altera. Um exemplo de alteração na regência verbal é se ao invés de falar “Vamos ao cinema”, disséssemos “Vamos no cinema”, neste caso, muda-se a regência que é a preposição que o verbo pede para se relacionar com o seu complemento.

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